Salada de Frutas
Time for Evasion!

Jul
30

Jul
28

Jul
26

Os Portugueses Estrangeiros

De Marina Araújo

 

No fim-de-semana passado uns amigos chamaram-me para almoçar em casa deles. Uma daquelas boas sardinhadas que começam ao meio-dia e só acabam às nove da noite – apesar de eu levar sempre umas asas de frango, já que não gosto lá muito de sardinhas. Lá fui eu, muito feliz, com o meu tupperware com asas de frango debaixo do braço e uma sobremesa num saco e, quando lá chego, vejo que, em vez do nosso grupo do costume, estão mais quatro pessoas à mesa. Um casal com duas filhas no inicio da adolescência. Não me percebam mal, adoro conhecer pessoas novas, amigos dos meus amigos, são meus amigos também.

Porém, ao longo do almoço e da tarde, não consegui deixa de sentir alguma irritação a crescer em mim. Por momentos pensei que era só eu, mas após trocar alguns olhares, percebi que o desconforto era geral. Isto porquê? Enquanto o nosso grupo falava muito alto em português, rindo e etc., a mãe e a adolescente mais velha, cochichavam em inglês. Estaria tudo bem, se não soubéssemos que as duas eram fluentes em português. O marido e pai lançou um olhar quase envergonhado ao anfitrião.

Claro que elas não conheciam o Ricardo. Com o seu sorriso divertido, pegou no seu copo com cerveja gelada e perguntou:

– Sabem a história dos “avecs” que vêm passar férias no Algarve? – Como todos negámos, ele continuou. – Então é muito simples, está um casal a passar férias no Algarve, o pai a dormir e o puto na água. A mãe começa a chamar pela criança: “Jean-Paul, vien ici!”, o puto nada! “Jean-Paul, vien ici!” Como é óbvio o puto nada. De repente sai-se a mãe “João Paulo, filho da puta, vem cá imediatamente.”

O nosso grupo, o marido e pai, todos nos rimos. Menos a mãe e a adolescente. Ficaram vermelhas de vergonha, comprovando muito bem que tinham percebido perfeitamente a anedota. Em Português.

Jul
26

Jul
24

Jul
24

Bolo de Carne


Ingredientes

4 Ovos

1 chávena de Leite

4 colheres de sopa de Azeite

2 chávenas de Farinha

1 colher de chá de Fermento

1,5 chávenas de Carne (Bacon, Presunto, Fiambre, etc.)

 

Preparação

1) Numa tigela juntar os ovos e o leite e bater bem.

2) Depois juntar o azeite, e por fim a farinha com o fermento aos poucos sempre batendo muito bem, o segredo nesta massa em ficar fofinha esta em bater muito bem.

3) Depois junta-se a carne previamente cortada em pedacinhos pequenos.

4) Envolve-se tudo.

5) Vaza-se numa forma de bolo inglês.

6) Vai ao forno a 200º durante cerca de 45 minutos dependendo do forno.

 

*Também pode-se colocar outras carnes e até restos de carnes, de forma a aproveitar os excessos.

Jul
23

As Praias de Agnés + A Felicidade

Título Original: Les Plages d’Agnés

De: Agnés Varda

Género: Documentário

Classificação: M/12

 FRA, 2008, Cores, 110 min.

Agnès Varda regressa agora com as suas memórias. Neste documentário autobiográfico, Agnès coloca-se em cena com vários fragmentos do seu trabalho: filmes, imagens, reportagens. Partilha connosco, com um grande sentido de humor, a sua vida desde a infância até à idade adulta, enquanto mulher e artista, num retorno simbólico às praias que marcaram o seu percurso de 80 anos.

Em complemento, a história de um pai e de um filho contada em dez minutos. A última conversa entre os dois, ao som do “Exsultate Jubilate” de Mozart, é a “Felicidade”, curta-metragem de Jorge Silva Melo.

 

fonte: Cinecartaz

Jul
22

Jul
20

Jul
20

Para Além da Imaginação

Episódio 1×01 – Prólogo

De Francisco Almeida

 

Continuo a respirar mas não tenho a certeza como, parte de mim sente que já deveria ter parado há algum tempo. Cada inalação enche a minha boca de ar quente e espesso, que escorrega pela minha garganta vagarosamente e se aloja em pulmões que se sentem fossilizados, mortos.

Com um pequeno movimento afasto o cabelo suado dos olhos e fixo arduamente o padrão negro de tijolos a meros centímetros da minha face. Um vago murmúrio de sons persiste no meu ouvido mas o meu cérebro não lhes consegue dar sentido. A minha cena está próxima mas como saberei quando?

As luzes diminuem e apercebo-me que devia estar a mover-me, devagar baixo-me e na escuridão os meus dedos encontram tecido. Pego no casaco e visto-o com dificuldade, todo o meu torso está encharcado em suor por baixo da camisola e acrescentar mais uma camada não é uma boa ideia. Independentemente ajeito o casaco e tropeço até ao centro da área delimitada para o meu acto na altura exacta em que as luzes se acendem.

A examinadora não está a olhar, continua a rabiscar notas nas diversas folhas de papel que se encontram na secretária à sua frente. Ela está a menos de três metros de distância e nem sequer se dá ao trabalho de me olhar nos olhos, isso irrita-me.

Está ainda mais quente debaixo das luzes. O material preto de que é feito o meu casaco parece atrair todo o calor na sala e os meus pulmões gritam por ar fresco. Inspiro pesadamente uma vez mais, o ar está tão sufocante como sempre. Os meus olhos encontram um ponto no quadro branco na parede do fundo onde me costumo focar durante todos os meus monólogos, mas enquanto abro a boca a minha mente pára.

“Quais são as palavras? Que monólogo é este?”

Os meus olhos voam para os lados e eu encontro quatro raparigas à minha direita, voltadas para a parede de tijolos assim como eu estava a fazer há momentos atrás mas mesmo assim não me consigo lembrar em que cena estamos. Se isto fosse um ensaio eu perguntaria, mas trata-se da nossa actuação final e não posso fazê-lo ou perderemos pontos.

Inspiro novamente…não ajuda. Dizem sempre que irá ajudar mas a minha mente está mais branca que nunca.

A examinadora olha para mim apenas por um momento antes de redirigir a sua atenção na direcção das suas notas. De certo que está a comentar a minha falta de habilidade. Há quanto tempo estarei eu silenciosamente debaixo dos holofotes: um minuto…mais?

“Ai!” A palavra sai tardia. A dor que a desencadeou já inundou todo o meu corpo e o meu braço direito voou para o lado com o impulso. Os meus olhos cerraram-se violentamente perante a dor e, quando os volto a abrir, vejo a minha professora a olhar-me preocupada, a meio caminho do seu banco para me vir ajudar mas então os seus olhos movem-se para a minha direita, para o meu braço ainda pendurado no ar, e congela.

As pontas dos meus dedos sentem algo e eu volto a cabeça para ver o que capturara a atenção de todos. Um rapaz encontra-se a meu lado, tem talvez a minha idade ou um ano mais velho. O seu cabelo é negro como azeviche e os seus olhos são cor de tijolo, algures entre vermelho e castanho. Os meus dedos estão perdidos nas penas que formam as suas asas; elas são prateadas e em nada macias. Provavelmente eles pensam que é um anjo mas eu sei que não…

“Davis.” O seu nome rola pelos meus lábios e num segundo sei que adivinhei correctamente.

“Está na hora.” À medida que ele fala um outro impulso percorre-me. Parece começar no meu peito e espalha-se para fora, desta vez passa através de ambos os meus braços e eu caio sobre os joelhos apertando o peito enquanto um choro é arrancado da minha garganta.

“Não pode ser!” Grito para Davis.

“Desculpa, mas tem de ser.” Os pés descalços de Davis avançam sob o áspero tapete e as suas asas desintegram-se, enchendo o chão por baixo dele de penas que instantaneamente putrificam.

“Eu não vou.” Corro para longe da figura que se aproxima e dou comigo pressionado contra a secretária que estávamos a usar como adereço, parece já ter passado uma vida desde que estávamos a realizar aquela pequena e patética peça.

Aperto o topo da secretária e uso-o para fazer impulso e me libertar. Viro as costas a Davis e afasto a secretária. Devia tê-la apenas derrubado mas um novo impulso percorre o meu corpo e encontra caminho até ao adereço. Ela embate contra a parede, o topo de madeira desfaz-se e as pernas metálicas dobram-se com o impacto. Alguém grita à medida que pedaços de tijolo negro chovem sobre a peça de mobiliário arruinada.

Eu ignoro tudo isso, rastreando o meu caminho até à parede à minha frente. Os meus dedos escavam o seu caminho até aos tijolos e começo a escalar a superfície vertical, no topo agarro-me ao andaime de metal preso no tecto.

“Desce.” Mesmo por baixo de mim consigo ver Davis, ele parece furioso.

“Não!” Agarro-me firmemente ao andaime e sinto outro impulso. Desta vez a dolorosa energia emana da minha pele. Choro em agonia enquanto o andaime conduz a energia, as luzes tremeluzem e depois morrem. “Não podes fazer-me isto.” Consigo sentir lágrimas a descer pela minha cara e com a dor torna-se difícil continuar a agarrar-me ao andaime. Deixo-me cair.

Davis agarra a gola do meu casaco enquanto caio e vira-me, o ímpeto transporta-me para a frente mas já não estou a ir em direcção ao chão. De repente estou de costas para a audiência. Davis, sobre mim, segura o que resta do meu casaco nas mãos, “Vem comigo”

Ignoro o seu pedido enquanto ele se coloca à minha frente e pressiona a sua mão contra o meu peito. “Não!” Grito novamente mas é inútil.

Há um flash de luz e tudo gira à minha volta. Por momentos, tudo fica negro e sinto-me perdido na escuridão de mim mesmo.

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